carregando
Carregando...
Caso a página demore muito para carregar,
aperte o botão "atualizar" do seu navegador ou a tecla "F5".

  • Receba informações e promoções de nosso site.


Notícias

Comportamento

Medo da violência muda comportamento dos cuiabanos

30/07/2012 às 15:27h
De acordo com a pesquisa do Ministério da Justiça, nos últimos anos a criminalidade no Brasil tem se concentrado na população mais jovem, de até 25 anos, onde ocorre a maior parte dos homicídios: "Aqui, 60% dos crimes contra a vida são praticados ou sofr

Mudança de hábitos, de rotina, de endereço. Essas são algumas das "saídas" usadas pelas pessoas para retomarem as suas vidas após serem vítimas da violência urbana e se encontrarem acuadas pelo medo e pela insegurança. O crime está mudando o estilo dos brasileiros e, em Cuiabá, a realidade não é diferente.
Uma pesquisa, encomendada pelo Ministério da Justiça e publicada pela revista Veja, mostra como o comportamento dos moradores das 27 capitais do país mudou por causa da violência.

Na Capital de Mato Grosso, os sinais da insegurança se refletem claramente quando 72,7% dos moradores entrevistados declararam evitar sair à noite, ou chegar muito tarde em casa, por medo dos altos índices de criminalidade.

Além disso, os cuiabanos estão em 6º lugar no ranking da pesquisa quando a pergunta é sobre deixar de ir a certos bancos, e caixas eletrônicos, por causa da criminalidade: 59,2% responderam que sim.

Essa porcentagem é ainda maior, e chega a 62,6%, quando os entrevistados foram questionados se deixaram de frequentar certos locais da cidade, ou de ir a determinados bairros, por causa da violência.

Para o coordenador do Núcleo Interinstitucional de Estudo da Violência e da Cidadania da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o sociólogo Naldson Ramos, o reflexo do medo pode ser notado claramente nos moradores da Grande Cuiabá, que passaram a optar, cada vez mais, pela reclusão em detrimento dos relacionamentos externos.

Medo: consequência da informação

Ramos explicou que a mudança de comportamento, antes de ser ditada por um aumento no índice de criminalidade, é resultado também da evolução dos meios de comunicação, que hoje tem um poder de alcance muito maior para a divulgação do que acontece em locais extremos da cidade, levando, assim, o medo para mais próximo do cidadão.

Segundo ele, a evolução dos meios de comunicação e dos aparatos tecnológicos de informação fez com que a criminalidade fosse difundida para todos os bairros, não existindo mais um território onde o cidadão possa se sentir 100% seguro. O sociólogo respalda seu argumento em números, se baseando em uma estatística recém-divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de que os crimes contra a vida resultam em uma taxa de até 10%, sendo que a taxa nacional de homicídios gira em torno de 5%.

Juventude perdida

De acordo com a pesquisa do Ministério da Justiça, nos últimos anos a criminalidade no Brasil tem se concentrado na população mais jovem, de até 25 anos, onde ocorre a maior parte dos homicídios.

Apesar de o país ter evoluído e registrado uma queda acentuada dos assassinatos e um aumento considerável dos crimes contra o patrimônio, são os jovens que, em sua maioria, participam dessas atividades ilícitas, fato que também se reflete na Capital mato-grossense.

Segundo Ramos, os crimes contra a vida, como homicídios e tentativas de assassinato, são os que mais causam indignação na sociedade e, também em Cuiabá, são praticados por um percentual da população que deveria ser geradora de renda no Estado.

“Aqui, 60% dos crimes contra a vida são praticados ou sofridos por jovens na faixa etária que vai dos 12 aos 30 anos de idade, que seria a fase mais produtiva da sociedade”, disse.

Segundo ele, nessa idade eles estão morrendo em confrontos com a polícia ou entre si, isso quando não acabam sendo recolhidos pelo Estado e passam pelo frágil sistema socioeducativo, quando menores de idade, voltando às prisões, ao atingirem a maioridade. A sociedade estaria, então, praticando um verdadeiro “genocídio” da população mais jovem.

“Os jovens são as pessoas que estão mais suscetíveis a sentir esses apelos para praticar esses atos ilícitos, porque eles têm pressa, querem para hoje, eles não tem perspectiva de construir uma carreira. Ele quer um celular, um novo tênis ou sair para a balada, mas não tem dinheiro. Os amigos, os companheiros, são as referências dele e também estão prontos para entrar no esquema. Aí, eles se encontram com os adultos, que se aproveitam do Estatuto do Menor para colocar o mais jovem para empunhar a arma”, argumentou.






 

Fonte: Mídia News

Comentários

Você precisa logar no site para poder enviar comentários. Clique aqui caso ainda não possua um cadastro em nosso site.

     

    1